Um pouco da história do criador da Sonho Real Turismo
O empresário Eurides Natalin Biancareli foi quem idealizou e fundou a agência Sonho Real Viagens e Turismo Ltda, inaugurada em 18 de fevereiro de 1999.
Eurides nasceu num sítio no município de Mandaguari, no norte do Paraná, em 26 de dezembro de 1952, daí o nome do meio de Natalin. Era uma casa simples, de madeira, como a maioria das casas simples que se construíam naquela época e naquela região.
Desde pequeno, em meio a arapucas e estilingues, Eurides queria mesmo era viajar, mas isso é coisa que todo menino quer mesmo, costumava dizer dona Dolores, a mãe e matriarca do clã. Mais tarde, dona Dolores revelou que a vocação para viagens vinha dela mesmo, porque até hoje continua organizando as suas "excursões", através da Sonho Real, dezenas delas a Aparecida, outras tantas a Olímpia, Águas Quentes; fosse onde tivesse santo milagreiro ou simplesmente um lugar para passear. Sempre garantindo o seu lugar e um para "seu" Antonio, sereno, quieto, corintiano, mas que não deixava de lado a oportunidade de viajar.
Em 1958, aos seis anos de idade, Eurides se mudou com a família para Americana, no Estado de São Paulo. Segundo Eurides, foi sua primeira viagem, na carroceria de um valente Chevrolett Gigante ano 1937, viajou comendo poeira por dois dias até Americana. O serviço nos cafezais do Norte do Paraná eram divididos de "a meia", como se dizia antigamente; a família do empregado ganhava uma parte do que recolhia para o patrão. Foram anos difíceis. Quando tudo parecia que tava dando certo, vinha a geada e queimava o café. Até que uma noite pegou fogo na casa de madeira e também queimou gravemente nosso pai.
O pai Antonio, na sua firmeza e teimosia, ainda pensava em ficar ali naquelas terras , passando hipoglós nas feridas que enchiam a casa com um cheiro triste. Foi então que nossa mãe, atirada, como mãe e fera acuada, foi em busca dos parentes que, em Americana, ganhavam o "consolo" do salário mínimo trabalhando nas pequenas tecelagens.
Durante muito tempo, Eurides e os três irmãos se amontoaram num banheiro cedido por uma das tias. Até que em 1969, ele com uns 16 anos, apareceram os primeiros trabalhos como agente de viagens e guia em empresas como Viação Bonavita e mais tarde na Rochatur, em Campinas. Não eram ofertas de emprego, eram teimosia em fazer aquilo , pois ele não se aquietava nunca. Teve que ser emancipado para iniciar os trabalhos. Naquela época não havia faculdades de turismo, cursos de Guia entre outros. Nem sequer pensava-se no turismo como profissão. Mas Eurides tinha o dom. Criava, inovava, surpreendia a cada dia.
Eurides tinha esse dom de vender de tudo, verduras, rapadura, vassouras feitas pelo avô e até as mandiocas plantadas pelo pai.
Em 1971 assumiu seu posto mais alto, gerente da agência de viagens da Monte Alegre Turismo, de Piracicaba, onde ficou uma década. A empresa cresceu e ganhou status organizando grupos de passageiros para incontáveis destinos. No início dos anos 80, achou que era hora de montar seu próprio negócio e criou a Euritur (Eurides Turismo) em Piracicaba onde permaneceu proprietário da agência por 02 anos. A agência organizou muitos grupos e ficou muito conhecida na região. Porém as condições econômicas da época obrigaram Eurides à vende-la. A Euritur permanece ainda hoje, com o mesmo nome, instalada em Rio Claro, interior de São Paulo.
Eurides aprendeu tanto que em 1984 passou a trabalhar na Cruz Incentive, de Porto Alegre, num ramo de atividade que certamente a agência Sonho Real já incorporou como fundamental. Tratava-se de elaborar, a pedido das empresas, programas e roteiros que funcionassem ao mesmo tempo como prêmio para os funcionários, uma oportunidade de encontro e de reciclagem. A Cruz passou a assumir todos os eventos desse tipo da Xerox do Brasil, pensando, organizando e realizando encontros, os maiores e mais desafiadores foram com mais de 600 pessoas para Cancun e outro com mais de 300 pessoas para Roma.
Em 1999, com tantos anos de estrada, com os filhos já bem treinados e capacitados, e com o apoio da família inteira, Eurides se lançou na fundação de sua própria agência, a Sonho Real Viagens e Turismo.
O nome não foi por acaso: Escolhido por Eurides, mesmo sem o aceite total de todos da família, e seu pessoal acreditavam que viajar era uma questão de querer, e sonhar era uma forma de transformar esses desejos em realidade.
Por essa época, além do apoio da família, Eurides já contabilizava mais de 1,4 milhão de quilômetros rodados por terra, ar e mar , acompanhando grupos. Era muita coisa. Na empreitada, entrou toda a família: Daniel, o filho mais velho, assumiu o comando das operações ao lado do pai. Rafael, o segundo filho, tinha nascido com a habilidade de vender qualquer coisa, mas tinha como objetivo seguir os caminhos do pai . Raquel já tinha percorrido hotéis por esse país afora, ora como guia, ora como assistente, vendo como os grandes hotéis agiam e atendiam frente aos clientes.
Na batalha diária, entrava a família toda. Marlô, a esposa, capitaneava e continua comandando os negócios. Aí se juntaram o cunhado Mauro, as cunhadas todas, os sogros, os pais, os irmãos. Nem todos estavam ali no pesado do dia a dia, mas todos torciam e trocavam idéias.
A batalha diária para Eurides não era somente frente aos negócios. Desde 1997 Eurides lutava de corpo e alma contra um câncer. Os oito anos que se passaram foram com certeza os mais difíceis de sua vida. Mesmo assim Eurides encarava a doença como uma gripe e continuava a encantar as pessoas de seu convivio.
Eurides morreu de câncer aos 50 anos, em agosto de 2003 , depois de ter comemorado meio século de vida, em 26 de dezembro de 2002, com uma reunião de amigos que começou de manhã e terminou de madrugada.
No seu período de doença, anos atrás, a família trouxe mais um motivo de festa para os Biancarelis, a pequena Mayne. Eurides se sentia com tanta vida que queria mais gente para compartilhar desse seu entusiasmo. Nos últimos meses, quando o ar lhe faltava, só os que estavam muito perto perceberam que Eurides tinha assumido a consciência que suas limitações físicas estavam acabando, mas jamais aceitou suas limitações espirituais. Nunca lamentou, nunca deixou de acreditar em nada.
No dia em que foi homenageado por centenas de amigos, no Cemitério da Saudade, a família fez questão de escrever em seu túmulo a frase que Eurides mais repetia, e que mais representava seu amor e seu entusiasmo pela vida:
"Longe é um lugar que não existe." (autor desconhecido) Eurides assumia essa frase como se fosse dele. Seus filhos e sua família a adotaram como uma homenagem e uma saudação ao querido pai. Que distância é essa, que não existe? Que lugar é este, que por mais distante pode ser alcançado por todos nós?
Eurides não se contentava com os percursos pelos caminhos desta terra, queria também as ondas do rádio. Por muito tempo, manteve um programa na Rádio Noticia AM, da cidade, onde não apenas falava de turismo, de viagens e de coisas boas. Ele chamava a atenção dos riscos que as cidades e as estradas impunham, sem necessidade, aos seus viajantes. Quantas vezes protestou contra a falta de guard-rails dividindo a Anhanguera entre Americana e Campinas, onde carros desgovernados atravessavam a pista e transformavam os veículos num caixão de funeral. Tanto falou que mudaram e construíram muretas de concreto.
Eurides também escrevia aos sábados a coluna de turismo do Jornal de Nova Odessa. E foi presidente do COMTUR, o Conselho Municipal do Turismo em Americana.
Eurides foi embora deixando um legado de trabalho e uma sensibilidade rara na área dos negócios, o respeito pela intimidade do cliente. Deixou uma história de empreendedor e uma família que aprendeu a gostar de tudo que ele mais gostava, o desejo de oferecer o mais agradável e de atender da melhor forma possível.
Por: Aureliano Biancarelli - irmão de Eurides.
|